Arquivos de April de 2009

Óleo do bem

azeite
As propriedades do azeite são sempre alvo de estudos, que, volta e meia, divulgam alguma boa descoberta
Ciça Vallerio – O Estado de S.Paulo
 
A cada temporada, surgem notícias sobre os poderes do azeite, especialmente o extravirgem, que é o tipo mais puro e, portanto, mais rico em nutrientes. A lista vem crescendo. Somam-se às consagradas descobertas vários outros benefícios. Em outubro do ano passado, por exemplo, dois estudos mostraram que o consumo do azeite ajuda a emagrecer.
 
A nutróloga e endocrinologista Valéria Goulart, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), conta que as pesquisas foram realizadas na Universidade Yeshiva, em Nova York, e na Universidade Sapienza Roma, Itália, e publicadas na conceituada revista científica Cell Metabolism. Em suma, constataram que o azeite evita a gula entre as refeições.
“Isso acontece porque o ácido oleico é convertido em oleoletanolamina (OEA), um hormônio derivado da gordura que regula a fome e o peso corporal, prolongando a saciedade e fazendo com que a pessoa tolere mais tempo entre uma refeição e outra”, resume a nutróloga.
Funciona assim: o ácido oleico chega ao intestino delgado e entra nas células que o revestem por meio de um transportador chamado CD36, que se transforma em oleiletanolamida (OEA). Esta substância é transportada para o cérebro, dando a sensação de saciedade. De quebra, diminui os níveis de triglicérides e colesterol.
“Mas não vá enchendo a cara de azeite para emagrecer”, avisa Valéria. “Ele possui a mesma quantidade de calorias que qualquer outro óleo.” Saiba, portanto, que uma colher de sopa de azeite tem 90 calorias.
A nutricionista Daniela Jobst, membro do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, lembra que o azeite é riquíssimo em ácidos graxos Ômega 9. Por isso, seu consumo regular estimula a produção de substâncias anti-inflamatórias, que ajudam a combater diabetes, obesidade e câncer.
“São as chamadas doenças inflamatórias, pois surgem como resposta a uma agressão feita ao organismo por meio de agentes externos, como uma alimentação inadequada e pobre em nutrientes”, explica Daniela. “Estudos mostram que o consumo regular de azeite auxilia no tratamento dessas patologias.”
Como a celulite não deixa de ser um processo inflamatório, resultado da gordura localizada e da má circulação, esse óleo do bem ajudaria também a minimizá-la. Ainda, segundo Daniela, o azeite ativa o metabolismo. Mas cuidado com o exagero. “Recomendo uma colher de sobremesa por refeição para quem está de dieta, e uma de sopa para quem não se preocupa com a balança.”

Mais promessas

Outra notícia que causou frisson foi a que relaciona o consumo de azeite extravirgem à perda das medidas abdominais. Esse estudo foi realizado por cientistas da Espanha e Inglaterra, e publicado na revista Diabetes Care, da Associação Americana de Diabetes. “Chegaram à conclusão de que a ingestão de duas colheres de sopa dessa gordura monoinsaturada ajuda a evitar a formação da famosa barriguinha”, resume a nutróloga Valéria.
Quer mais? Uma pesquisa da Universidade Northwestern, de Chicago, demonstrou que o azeite extravirgem ajuda na prevenção do câncer de mama. Estudiosos constataram que o ácido oleico neutralizou a atividade do gene HER-2 (Human Epidermal Growth Factor Receptor 2), que é uma proteína relacionada à divisão e crescimento da célula normal. Suas propriedades também estimularam a eficácia do medicamento contra câncer de mama, chamado herceptina, ajudando a prolongar a vida de diversas pacientes.
Segundo a nutróloga e endocrinologista Valéria Goulart, o ácido oleico reforça a membrana das células, muda sua composição e contribui para regular os genes. “Quem consome azeite de oliva mais de uma vez ao dia tem 25% menos riscos de desenvolver câncer de mama, também graças às concentrações de vitamina E, polifenóis e vitaminas A, D, K e E”, informa a especialista.
Para a nutróloga, o ideal é ingerir o azeite extravirgem in natura, acrescentando-o à comida ao final do preparo. Pode ser usado em cozimento, desde que no fogo brando e por pouco tempo. Isso porque, quando as gorduras são submetidas a temperaturas muito altas, desidratam-se e perdem qualidade.”
 
Decifre os tipos
 
Italiano e consumidor de carteirinha de azeite, Luciano Percussi é autor do livro Azeite – História, Produtores e Receitas (Editora Senac),que já caminha para a terceira edição. “Faltava informação entre os brasileiros”, conta o fundador do Vinheria Percussi, tradicional e premiado restaurante paulistano. É ele quem ensina a decifrar os tipos de azeite, que chegam a confundir na hora da compra.
Para identificar o extravirgem nas prateleiras, que é o mais rico em nutrientes, olhe no rótulo para saber o grau de acidez, que deve ser entre 0,1% e 0,8%. Este tipo corresponde ao “primeiro suco” da extração da azeitona. Depois, vem o azeite virgem, com acidez entre 0,8% e 1,5%, resultado do “suco” da segunda prensagem do bagaço que sobrou da primeira. Portanto, perde-se parte de sua riqueza, mas mantendo-se alguns benefícios em sua composição. Embora Percussi utilize o extravirgem até para cozinhar, o azeite virgem seria uma opção mais barata para uso diário e, principalmente, para ir ao fogo.
Há ainda o azeite de oliva comum ou semifino, que é a denominação genérica para a mistura do refinado com o virgem, o que reduz ainda mais suas propriedades. O seu grau de acidez fica entre 1,5% e 3,3%.
Luciano Percussi observa ainda que as melhores embalagens são as escuras ou as de cerâmica. No entanto, boa parte do que está nas prateleiras é engarrafada em vidros transparentes. “É para mostrar a cor, mas isso não tem nada a ver com a qualidade do produto”, avisa. “O que vale é o sabor.”
Atenção para a conservação. Durante a compra, verifique se os produtos estão em locais longe do calor e da exposição à luz direta. Esses fatores são responsáveis pela deterioração do azeite, especialmente de seus nutrientes. Guarde-o em local fresco e, de preferência, fora da incidência de radiação solar.
 
Principais ganhos
 
O azeite aumenta a saciedade, facilita a digestão e estimula o funcionamento do intestino.
Como sua composição é muito parecida à da gordura humana, é bem assimilado pelo organismo e favorece a absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, K e E).
Por conter muita vitamina E, tem forte poder antioxidante, impedindo a formação de radicais livres e atrasando o envelhecimento das células.
Seu alto teor de gorduras monoinsaturadas ajuda a elevar o HDL (colesterol “bom”) e a reduzir o LDL (colesterol “ruim”).
Diminui o risco do aparecimento da artrite reumatoide.
É indicado para diabéticos, pois aumenta a sensibilidade à insulina e diminui a pressão sanguínea.
Favorece a absorção de cálcio.
Reduz riscos de doenças do coração.
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Pesquisa aponta irregularidades em produtos que usam agrotóxico no cultivo

O Jornal Hoje mostra quais são os produtos mais contaminados e o que você pode fazer para reduzir o risco à sua saúde.

Uma pesquisa realizada com 17 produtos que usam agrotóxico no cultivo apontou que todos apresentaram alguma irregularidade. O Jornal Hoje mostra quais são os produtos mais contaminados e o que você pode fazer para reduzir o risco à sua saúde.

O pimentão liderou o ranking dos produtos analisados. 65% das amostras foram reprovadas. Em segundo lugar, ficou o morango. Uva e cenoura não escaparam da lista. Todos os alimentos analisados apresentaram índices de agrotóxico acima do limite máximo permitido ou resíduos de produtos não autorizados pela Anvisa.

O pimentão, dos 22 produtos usados para o cultivo do fruto, 18 não são autorizados. No morango, 36% das amostras apresentaram também agrotóxico não permitido.

“Se a gente pudesse só na agricultura natural seria ótimo, seria maravilhoso, mas infelizmente o custo é maior”, diz Jucely Santos, comerciante.

A boa notícia da pesquisa, feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com 17 produtos, é que o índice de agrotóxico de alguns alimentos caiu em comparação com o monitoramento feito em 2007.

No tomate e na alface, o índice de amostras irregulares caiu pela metade.
Segundo a nutricionista Carla do Vale isso não significa que não podemos ingerir estes alimentos, desde que eles sejam bem lavados.
Ela explica que as escovas com cerdas macias limpam melhor frutas, legumes e verduras. Eles devem ser colocados de molho num litro de água com oito gotas de detergente neutro e depois lavados numa outra solução de bicarbonato de sódio e água.

“Passando por todos estes passos, ainda pode ficar. Então, o que pode ajudar a diminuir é o alimento aquele que pode ser consumido sem casca e se ele é processado, se ele é cozido, que aí acaba diminuindo bastante, ou da polpa ou da raiz deste alimento”, diz Carla do Vale, nutricionista.

Célia demora quase uma hora na higienização de frutas, legumes e verduras, e não abre mão disso. “Eu penso que o agrotóxico está em todos os alimentos. Então, acho que o máximo que a gente puder eliminar, é melhor para a saúde da minha família”, diz Célia Maciel, advogada.

Fonte: Jornal Hoje

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08 de Abril – DIA MUNDIAL DE COMBATE AO CÂNCER

VEGETAIS AJUDAM A PREVINIR CÂNCER

tomate

Comida anticâncer
Pesquisa mostra que os vegetais afastam a ameaça de vários tumores. Sem contar que, ao incrementar as porções de frutas e hortaliças no prato, sobra menos espaço para a gordura e ela tem tudo a ver com o surgimento da doença

por CIDA DE OLIVEIRA

Não tire conclusões precipitadas: os alimentos destas páginas não são milagrosos. Mas a ciência da nutrição, que investiga sua ação anticancerígena, constata que eles de fato têm efeito preventivo. Vários levantamentos estatísticos apontam, e não é de hoje, que nas pessoas habituadas a devorar vegetais os casos de câncer são mais raros, garante o gastrenterologista Dan Linetzky Waitzberg, professor da Universidade de São Paulo. Mas, na hora do ver para crer, isso só era observado em tubos de ensaio, nos chamados testes in vitro. Só agora é que os pesquisadores passaram a enxergar o mecanismo antitumor de vários nutrientes dentro de organismos vivos no caso, cobaias. É um belo avanço.

Na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, por exemplo, concluiu-se que o sulforafane, presente na família dos crucíferos couves, brócolis, repolhos , é capaz de brecar o avanço do câncer colorretal em animais de laboratório. Já em Taiwan, cientistas da Universidade Nacional Chung Hsing testaram o licopeno em animais, nos quais provocaram de propósito um câncer de fígado igual ao que acomete os seres humanos. O resultado? O pigmento que dá o tom vermelho ao tomate e a frutas como a goiaba simplesmente barrou a temida metástase, ou seja, impediu que as células malignas se espalhassem pelo corpo.

A essa altura, você deve estar se perguntando: por que certos nutrientes funcionam contra um tipo específico de tumor mas são praticamente inertes contra outros? Nem os cientistas têm respostas prontas, embora arrisquem algumas hipóteses. Uma delas é a facilidade de alguns tecidos para acumular determinadas substâncias, criando verdadeiras reservas. É o caso do licopeno, o tal pigmento vermelho dos vegetais. Os pesquisadores notam que ele tem uma afinidade especial com os tecidos da próstata e das mamas, ficando concentrado bem ali, enquanto passa depressa por outras partes do corpo talvez sem o tempo necessário para agir. O resveratrol da uva e do vinho, por sua vez, tende a ficar no plasma do sangue e nos tecidos do sistema urinário. Já compostos fenólicos, como o allium, que está na cebola, no alho e na cebolinha, fariam escala no estômago e no intestino, atuando em diferentes etapas do processo que leva ao câncer nesses órgãos. No entanto, não movem uma palha contra tumores em outras regiões.

Pode parecer confuso e é. Não tente decorar quanto deve comer disso ou daquilo, como se a travessa à mesa fosse um vidro de remédio. O grande mérito de tantas pesquisas é ensinar aos médicos, inclusive que um cardápio adequado (leia-se bem colorido também) pode prevenir 30% dos casos de câncer, incluídos aí tumores de boca, laringe, faringe, estômago e intestino, muito freqüentes na população brasileira. Já é um feito e tanto se a gente pensar que, não faz muito tempo assim, ninguém achava que havia um caminho seguro para prevenir essa doença muito menos desconfiava que ele estaria no prato. Hoje se tem clareza da importância de comer frutas, verduras, legumes e peixes, limitando ao mesmo tempo as porções de carnes vermelhas, sal e embutidos, resume Dan Linetzky Waitzberg. Segundo Sueli Couto, nutricionista do Instituto Nacional de Câncer, o Inca, sediado no Rio de Janeiro, a questão não é quantidade de vegetais, mas regularidade. Tem de comer sempre, declara. No mínimo, cinco porções diárias, preferindo sempre grãos integrais aos refinados.

Do mesmo modo que sobram evidências de que vitaminas, minerais, fibras e outras substâncias presentes em frutas e hortaliças podem barrar o avanço de tantos tipos de tumor, há provas suficientes para incriminar o álcool, os embutidos e as gorduras, especialmente as das carnes vermelhas. Estas ressalve-se têm também seu lado bom, fornecendo proteínas de excelente qualidade, ferro, zinco e vitaminas B12. Não se trata, portanto, de baní-las do menu. A recomendação é reduzir a ingestão para duas porções semanais, diz Sueli Couto, do Inca. Ela, no entanto, insiste: Pior do que comer carne sempre, é não comer salada nunca.

Além de repletas de substâncias protetoras, as saladas tornam a refeição mais light. E, embora não haja consenso em torno do assunto, a gordura corporal vem sendo examinada com desconfiança. O peso extra, dizem cientistas como os que observaram isso em ratos, na Universidade do Texas, nos Estados Unidos contribui para reações inflamatórias dentro do organismo. Até há pouco tempo, essas reações só eram associadas a doenças cardiovasculares. Hoje se sabe que elas podem aumentar em 30% as chances de um câncer aparecer, afirma Alfredo Halpern. Portanto, a melhor dieta anticâncer é aquela leve, bem leve.

Fonte: Saúde é Vital

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