Arquivos de April de 2010

No altar, mas sem esquecer do meio ambiente

Fazer uma festa de casamento bonita e animada não significa aumentar sua pegada ecológica

A noiva Sabrina Campos conseguiu autorização para alugar o parque Trianon no seu casamento, em 2007

Na lista de itens para garantir uma festa de casamento animada não podem faltar boa música, comes e bebes de qualidade e decoração caprichada. Olhando pelo lado menos glamouroso, isso implica um alto consumo de energia, gasto de papel, desperdícios e emissões de carbono.

Se a ideia é reduzir o impacto no meio ambiente e aliviar a consciência na hora de trocar alianças, a boa notícia é que existem cada vez mais fornecedores para garantir uma celebração ecológica e sustentável. E o melhor é que isso não significa uma festinha sem graça.

Do convite ao descarte das flores, as noivas Sabrina Campos e Ana Paula Caribé pensaram em todos os detalhes para ter uma festa mais verde. Ana Paula, inclusive, transformou essa experiência em uma empresa de organização de festas, a Ecowedding. Veja algumas eco-dicas:

Convite

O ideal seria convidar as pessoas por e-mail. Sabrina, por exemplo, mandou 250 dos seus 350 convites pela internet. Se fizer questão, mande os de papel apenas para os convidados mais especiais. “O melhor é usar papel reciclado com fita de tecido orgânico”, sugere Ana Paula.

Local

Casamentos ao ar livre podem ser mais sustentáveis, mais baratos e até mais românticos, já que aproveitam a luz natural e dispensam o ar condicionado. Sabrina conseguiu autorização para alugar o parque Trianon, na Avenida Paulista. Em ambientes fechados, velas podem substituir parte das lâmpadas.

Comida

No casamento de Ana Paula, até o tradicional bem-casado foi feito com doce-de-leite, farinha e açúcar orgânicos. Sabrina optou pelos orgânicos também nos coquetéis e no bolo. Lembre-se: frutas e legumes da estação deixam a comilança mais leve e sustentável.

Transporte

Incentive seus convidados a deixarem seus carros em casa e sugira um esquema de carona, para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Sabrina dispensou a limusine e chegou ao parque Trianon de metrô e bicicleta. Já Ana Paula contratou um serviço de vans para levar e buscar metade de seus 300 convidados.

Aliança

Não é tarefa fácil encontrar no Brasil peças feitas de ouro certificado, ou seja, extraído de forma sustentável. Mas há outras maneiras de fazer sua aliança mais ecológica. Ana Paula, por exemplo, reciclou as joias antigas de sua família e criou anéis personalizados.

Vestido

Invista nos tecidos orgânicos. Também vale reutilizar peças do seu armário e até remodelar o vestido da mãe ou da avó. Ter um vestido reciclado não significa que você não estará bonita a caminho do altar. Preocupada com a reciclagem, a noiva Sabrina escolheu um longo feito de fios de PET.

Flores e decoração

A melhor alternativa são as flores orgânicas, cultivadas sem substâncias químicas. O problema é que elas podem custar 50% mais. Então, para economizar, Ana Paula sugere plantas da estação: “Depois da festa, doei as flores para hospitais e asilos.”

Pós-festa

Você pode até seguir todos os passos anteriores, mas, se não pensar no lixo, sua festa não será verdadeiramente sustentável. Envie os resíduos para uma cooperativa de reciclagem. Se quiser ir além, procure uma empresa para neutralizar as emissões de carbono da sua festa.

Fonte: Estadão

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Natural, sim. Sustentável, nem sempre

A palavra natural é muitas vezes usada para induzir o consumidor a pensar que um determinado produto é sustentável, ecológico ou ainda benéfico para a saúde. Mas esse termo não significa nada além de algo que seja proveniente da natureza, mesmo que tenha sido extraído de forma predatória ao ecossistema e à saúde humana. Mesmo assim, muitas indústrias baseiam seu marketing em cima desse falso conceito para criar uma imagem simpática à determinado produto.

Cultivo de algodão orgânico representa apenas 0,76% da produção mundial

Um bom exemplo é o algodão, usado em grande escala pela indústria têxtil e vendido como uma fibra natural ecológica. “A fibra é natural, mas a maneira como ele é cultivado pode ser prejudicial ao meio ambiente”, explica Tais Aline Remunhão, professora de tecnologia Têxtil da Faculdade Santa Marcelina.

Segundo a Fundação Justiça Ambiental (EJF na sigla em inglês), essa lavoura é considerada a mais tóxica do mundo, pois representa 2,4% de áreas cultivadas e utiliza 25% dos pesticidas e agrotóxicos aplicados em todo o planeta. Os pesticidas envenenam até 5 milhões de agricultores por ano, hospitalizam 1 milhão e matam 20 mil.

Para cada camiseta de algodão que pesa 250 gramas são usados 160 gramas de agrotóxicos“, diz Taís. Outro ponto negativo no cultivo de algodão é seu alto consumo de água na irrigação: para cada botão da planta são necessários mais de 2,5 litros.

Segundo ela, em países quentes como o Brasil, o algodão é muito usado pois dá conforto e permite a respiração do corpo. E este bem-estar é muitas vezes vendido como ecológico.

Mas a verdadeira cultura sustentável do algodão é a orgânica, sem o uso de agrotóxicos ou pesticidas. Em 2009, esse tipo de produção cresceu 20%, segundo a Organic Exchange, associação internacional de algodão orgânico. No entanto, esse volume representa apenas 0,76% da produção mundial.

Bambu

Outra matéria-prima que induz o consumidor ao erro no setor têxtil é o bambu. O que muitas malharias chamam de tecido de bambu simplesmente não existe. Ele nada mais é do que uma viscose que usa, entre outras coisas, a fibra celulósica do bambu. “Tecido de bambu é uma fraude. A fibra desta planta tem no máximo 3 milímetros de comprimento e para fazer um tecido é preciso 30 milímetros“, explica Hans-Jürgen Kleine, da diretoria da Associação Catarinense do Bambu. “A fibra é desmanchada com químicos e o processo de construção do tecido é todo sintético.”

Se tecidos de bambu não passam de enganação, pisos e utensílios podem, sim, ser feitos com bambu ecológico. Isso porque seu cultivo é sustentável: não exige adubo, herbicidas e quanto mais se corta, mais cresce. A brasileira Welf, por exemplo, tem artigos para a casa em bambu sustentável. “Não usamos produto químicos e nossa cola é atóxica”, diz o diretor Peter Kirsner.

Maquiagem mineral

Outra confusão frequente é a de que maquiagem mineral é eco-friendly. “Toda maquiagem tem ingredientes minerais. Nas ditas “minerais”, o que acontece é a substituição de algumas substâncias, aliada a um marketing de produto natural, que não agride a pele”, explica Monica Gregori, diretora da Natura. “Mas os ativos continuam sendo de alto impacto ambiental, de fontes não renováveis.” A lógica é simples: os minérios um dia vão acabar se continuarem sendo extraídos. Segundo Monica, a Natura procura substituir minerais por ativos vegetais, como o maracujá.

Há ainda cosméticos ditos naturais que usam apenas uma pequena porcentagem de ingredientes de origem vegetal, mineral ou animal. E ainda assim a maioria não é cultivada de maneira sustentável.

Fitoterápicos

Remédios naturais também são fonte de confusão entre os consumidores. Nem todas as fórmulas contém ingredientes orgânicos e sustentáveis, como muitos acreditam. “Estamos verificando não somente a maneira como os fitoterápicos são produzidos, mas também focamos na responsabilidade pelo uso e exploração da biodiversidade”, diz Tom Vidal, gerente comercial da IBD, empresa que faz inspeções sobre matéria-prima natural no Brasil.

A Weleda é um dos poucos exemplos no Brasil que utiliza 100% de matérias-primas naturais em seus produtos, manejados de forma orgânica ou biodinâmica e seguindo os princípios do comércio justo. Além de serem utilizados para os cosméticos, também servem de insumo para seus remédios naturais.

E é aí que o consumidor pode se empolgar e ter problemas. “O fato de o remédio ser natural não significa que não tenha alta concentração de um ingrediente ativo”, explica Walter Büssem, gerente da Weleda.

“O principal pecado é não ler a bula. Há quem tome ginseng por longos períodos, mesmo estando escrito que ele não deve ser ingerido por mais de três meses, já que pode afinar o sangue e causar outros problemas”, diz Büssem. / ALICE LOBO

Fonte: Estadão

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Marmita orgânica e reciclagem

Atriz Patricya Travassos assume atitudes sustentáveis no dia-a-dia e confessa seus 'pecados ambientais'

Para a atriz Patricya Travassos, o “mantra” cada vez mais repetido de que temos de salvar o planeta é uma forma equivocada de encarar o problema ambiental. “O mundo não precisa ser salvo, pois já passou por diversas eras, inclusive glaciais, e continua existindo”, afirma a apresentadora do programa Alternativa Saúde, do canal GNT. “O que está em jogo é a nossa sobrevivência e a sustentabilidade do planeta. E as pessoas não enxergam isso.”

A consciência sustentável de Patricya está presente em boa parte de seus hábitos: ela separa o lixo reciclável em casa (embora tenha curiosidade de saber se, depois, ele é de fato reciclado), não joga óleo de cozinha pelo ralo e evita desperdiçar água. “Ela vira esgoto em questão de segundos. Acho muito estranho ver alguém lavar a calçada com mangueira d’água. É tão gritante (o desperdício)”, diz a atriz. “Nós estamos nos exterminando com nossos próprios hábitos.”

Fora de casa, Patrycia também procura adotar práticas que agridam menos o meio ambiente. Sempre que sai para gravar, leva refeições e lanches saudáveis – um hábito diferente, mas que fez escola entre os atores da Globo. “Levo marmita para tudo quanto é gravação e aos lugares onde vou passar o dia inteiro. E todo mundo sempre quer a minha comida, pois alimentação no set é horrível, tudo industrializado, nada fresquinho”, diz Patricya, explicando que a maioria dos itens que leva é livre de conservantes.

Cerca de 30% a 40% dos hortifrutis que ela compra são orgânicos, mas revela que tem dificuldade para achá-los. “Não consigo comer tomate, morango e cenoura que levaram pesticidas ou agrotóxicos”, conta a apresentadora, que é vegetariana desde os 7 anos.

Pedalando

Patricya também procura ser sustentável na hora de se locomover. No Rio, tenta trocar o carro pela bicicleta. “Quando morava em Ipanema, fazia tudo de bike. Essa é uma cidade ótima para isso. Mas hoje moro em um morro e fica mais complicado. Então eu desço de carro até a minha mãe, estaciono e pego minha bicicleta”, conta.

E, ao falar do Rio e da tragédia que as chuvas causaram na cidade no início do mês, a apresentadora faz um desabafo, dizendo que poderia fazer mais pelo meio ambiente.

Um de seus maiores “pecados ambientais” é beber água mineral, dessas em garrafinhas plásticas. Para a atriz, são justamente essas garrafas PET uma das principais culpadas pelas inundações no Rio. “É um mar de plástico que desce o morro e entope tudo.”

Além das garrafinhas, ela também não consegue se livrar das sacolinhas plásticas. ” Mas culpa também os fabricantes do produto. “Por que a indústria e os fabricantes de saco plástico ou garrafa PET não param de fabricá-las e nos dão novas opções?

Ela também faz um mea culpa sobre a iluminação da casa. Patricya admite que detesta luz fria, emitida por lâmpadas que gastam menos energia.

O ESPECIALISTA

Consultor propõe uso de lâmpada amarela

Para ajudar a apresentadora a reduzir o impacto ambiental das práticas das quais ela não consegue se livrar, José Guilherme Azevedo, da consultoria Max Ambiental, dá algumas dicas. Para ele, usar lâmpadas de baixa potência não resolve o problema. O ideal são as fluorescentes compactas, com filete em vez de bulbo.

Como ela não gosta de luz fria, pode comprar modelos em amarelo, cuja iluminação é mais aconchegante.” Azevedo duvida que as empresas mudem sozinhas suas práticas, como pede a atriz. “Elas só buscarão outro caminho quando o consumidor exigir.”

Fonte: Estadão

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