Arquivos da categoria ‘Projetos Sociais’

Sotheby’s faz leilão de legumes ‘vintage’

Acostumada ao luxo, aos negócios milionários e lances vultosos para arrematar trufas, vinhos e azeites raros, a famosa casa de leilões Sotheby’s, de Nova York, vai leiloar produtos da horta. Mas não é qualquer leguminosa ou verdura que vai fazer parte do lote. São verduras, frutas e legumes raros, que estão à beira do desaparecimento e foram cultivados especialmente para o evento por alguns produtores selecionados.

Chioggia. Parece rabanete, mas não é. Esta beterraba não perde a cor quando cozida

“The Art of Farming” é o primeiro leilão do gênero da Sotheby’s e está marcado para o dia 23 de setembro. Vai marcar a abertura da Eat Drink Local, uma grande feira dedicada a promover o locavore – movimento de incentivo ao consumo de alimentos cultivados nas imediações dos grandes centros urbanos, em especial os orgânicos.

“Estamos empolgados em realizar esse projeto”, diz Amy Middleton, vice-presidente da diretoria de marketing da Sotheby’s. Ela conta que ficou intrigada quando o agricultor Brent Ridge procurou a casa de leilões, em novembro, para apresentar o projeto em defesa dos legumes. “A agricultura sustentável e a preservação de vegetais em risco de extinção são ações tão artísticas quanto pintar um quadro. Esses produtores são verdadeiros artesãos da terra. Isso nos convenceu a participar“, diz Amy.

E o que pretende com isso a Sotheby’s, empresa que vendeu os dois quadros mais caros do mundo (Garçon à la Pipe, de Pablo Picasso, em 2004, e L’Homme Qui Marche de Alberto Giacometti, em 2010)? “O leilão mostra nosso envolvimento com algo que está cada vez mais forte e importante na cidade, o Eat Drink Local”, diz Amy.

Mais de 40 produtores doaram seus vegetais para o leilão, cujo lance inicial será de US$ 1.000 a caixa. Entre dezembro e janeiro deste ano, os agricultores receberam sementes raras de um instituto de preservação de espécies, o Landreth and Seed Savers. Alguns já trabalhavam com variedades exóticas, como a McEnroe Organic Farm, em Harlem Valley.

“Nossa fazenda produz orgânicos desde 1989. Conhecemos o Seed Savers há muito tempo”, conta Erich McEnroe, de 29 anos, terceira geração dedicada à produção de hortifrutis. Os McEnroes sempre se interessaram pelo exótico e raro – abóboras, batatas, tomate preto e berinjelas redondas e coloridas (como a green lao, purple lao e turkish orange).

O leilão tem apoio de figurões da cidade como Dan Barber, Eric Ripert, Ruth Reichl, Martha Stewart e a atriz Bette Midler. No final, a Sotheby’s oferecerá um jantar preparado por Jean-Georges Vongerichten, do ABC Kitchen, e outros três chefs nova-iorquinos. A renda será revertida a duas entidades que promovem o ensino e a difusão das práticas de agricultura sustentável, Grow-NYC e ao Sylvia Center.

Fonte: Paladar – Estadão

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A merenda que faz toda a diferença

Quando o suflê de repolho faz sucesso na merenda escolar, há algo diferente na receita. E não precisa ser, necessariamente, nos ingredientes.

Crianças aprovam os alimentos que são servidos nas escolas municipais do Brejo da Madre de Deus. Fotos: Teresa Maia/DP/D.A Press

As refeições oferecidas nas escolas públicas municipais do Brejo da Madre de Deus, a 190 quilômetros do Recife, mudaram no início de 2010. Desde então, além do “gosto” pelo repolho, os estudantes descobriram outro potencial da cidade: a produção da agricultura familiar.

As escolas do Brejo foram as primeiras nas regiões Norte e Nordeste a incluir os produtos das famílias da região no cardápio diário. Uma iniciativa que aumentou a variedade de alimentos, melhorou a saúde dos alunos e reduziu – inclusive – a evasão escolar. Do outro lado, na fonte, garantiu tambem uma renda segura aos moradores da área rural.

A prática está prevista em lei federal desde junho do ano passado. Na cidade, começou a ser implantada em janeiro e, a partir de março, foi formalizada com chamadas públicas. A nutricionista responsável pelo projeto e atual secretária de saúde, Maria do Socorro Farias, esclarece que o projeto surgiu da percepção do potencial agrícola do município. No histórico, está a manutenção de uma feira de orgânicos por mais de 20 anos e o título de único produtor orgânico de morangos. “Temos uma tradição forte em agricultura familiar e orgânicos. Com essa saída, movimentamos a economia local e melhoramos a qualidade da merenda”, resume. Segundo o levantamento da prefeitura, a região tem 1.500 agricultores habilitados para comercializar os produtos.

Até o momento, três associações estão participando da compra pela chamada pública, sendo uma de orgânicos, uma de mel e outra mais diversificada da agricultura familiar. Com a nova modalidade, o cardápio passou por uma adaptação para seguir as estações dos produtos. Em época de cajá, o suco é de cajá. Quando é período de umbu, o suco também é. “As crianças se acostumaram, por exemplo, a consumir mel. O suflê de repolho foi outro sucesso. Quando é feito com carinho e boa qualidade, as crianças se animam e comem até fígado“, ressalta Socorro. Ela conta que, nas primeiras férias escolares depois da nova merenda, algumas crianças chegaram a bater na porta das merendeiras, também vizinhas, para saber qual seria o cardápio.

“As crianças sentiram a mudança e ficam querendo saber o prato do dia. Quando chegam, perguntam logo”, disse Valmery de Lima Silva, merendeira há dois anos. Por turno, são servidas duas refeições. Na entrada, um lanche (suco, vitamina ou fruta) e, mais, próximo ao horário do almoço ou jantar, uma merenda mais reforçada (com carne). Os pratos preferidos são frutas com mel, de preferência banana e mamão, e panquecas. “Gosto muito dos sucos e peço para minha mãe fazer igual. Mas o daqui é mais gostoso”, comenta Rachele Silva, 6 anos. Mais atraente, a comida também ajudou a manter os estudantes nas escolas. Uma análise da prefeitura indicou uma redução de 70% nos índices de evasão escolar das creches ao ensino fundamental.

Desnutrição – Um número mais surpreendente foi alcançado namodalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), que é a categoria com maior desistência no país pelas dificuldades enfrentadas pelos estudantes, como dividir o tempo com o trabalho. Mas as escolas que oferecem o ensino, no Brejo da Madre de Deus, obtiveram 80% de conclusão no primeiro semestre. A coordenadora do projeto ainda destacou que, antes de modificar a merenda, foi constatado um alto índice de desnutrição e anemia entre os estudantes. Situação que começou a ser revertida nas 54 escolas da cidade, que atendem cerca de 12 mil alunos, muitos dos quais passaram a ver beterraba, cenoura e outros produtos como um estímulo para estudar.

Opções de merenda
- Escondidinho de macaxeira com carne de sol e vegetais
- Purê de inhame com picadinho de fígado
- Arroz com coco e isca de carne
- Arroz de leite com carne de sol
- Panqueca de carne com molho de tomate
- Bolo de jerimum com coco
- Vitamina de mamão
- Banana com mel
- Suco de laranja com beterraba

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário

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Curso de capacitação rural do Sebrae resulta em rentabilidade diferenciada

O foco é o mercado; as sobras são transformadas para outras culturas em propriedade de Rolim de Moura. Curso de capacitação rural melhorou empreendimento, diz produtora

Rolim de Moura – Durante dois dias da semana, às quintas-feiras e aos sábado, a produtora rural Inelda Bregalda Vendruscolo, leva parte de sua produção de frutas, verduras e legumes orgânicos para vender na feira da cidade de Rolim de Moura, Zona da Mata rondoniense. Ela faz o inverso do que normalmente acontece numa pequena propriedade agrícola familiar interiorana: o principal vai ao mercado, e o excedente para consumo próprio ou reaplicação de adubos.

Produtos como rúcula, almeirão, brócolis, alface, chicória, banana, araçá, pitanga, graviola totalmente saudáveis, pois não são aplicados de adubos químicos, são vendidos à população da cidade, a frigoríficos e supermercados.

De suas terras saem também pocã, manga, tangerina, sapoti, cajá – também chamada taperebá – carambola e jenipapo.

O diferencial na rentabilidade de sua propriedade está no fato de ela fazer o curso de capacitação rural desenvolvido pelo Sebrae em parceria com  o STTR (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais),Terra Sem Males e Secretaria Municipal de Agricultura.

Inelda informa que aprendeu, por exemplo, o que é ativo, passivo, capital fixo, enfim, todo o controle financeiro. Ela admite ter tido dificuldades para fazer cálculos, até porque não teve muita oportunidade de estudos, fazendo até a quarta série.

Um exemplo das mudanças é o caso da produção de acelga, cultura da qual ele fazia, antes uma colheita frente a três de alface. “Com o curso de capacitação rural aprendi a calcular os centavos, hora trabalhada. Concluindo: a alface dá muito mais lucro, apesar de utilizar o mesmo material para o cultivo”, diz Inelda Vendruscolo.

Outro fator que deixa a produtora otimista foi o aprendizado de que as hortaliças devem se pagar, e que para ter esse controle, é necessária a separação de recursos do empreendimento do pró-labore.

Sem desperdício

Aplicando corretamente o que aprendeu durante a capacitação rural, a produtora de Rolim de Moura diz fazer uma relação dos produtos que precisa, realizando compras de uma única vez. Some-se a isso o entendimento de que, antes, desperdiçava muito produtos, quando podemos reaproveitar, a exemplo do que é feito com a casca do cupuaçu par fazer compostagem.

Para continuar a evoluir, dona Inelda diz que gostaria de fazer curso para aprender a fabricar artesanalmente panelas de barro, muito utilizada na região.

Fonte: Sebrae

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