As árvores da vida

O nome dá vontade de correr para um hambúrguer com fritas,
mas contenha-se: os alimentos funcionais só precisam de um
reposicionamento de mercado. Que tal pensar neles como
coisas gostosas que, de passagem, fazem bem à saúde?

ALCACHOFRA

Já ouviu falar em silimarina? Presente na flor de alcachofra, ela ajuda em disfunções do fígado e da bile, em problemas digestivos e na redução do colesterol. Também é ótimo antioxidante e faz bem até para os olhos. Vantagem extra: tem poucas calorias. “A maioria dos estudos foi feita com o extrato, que é vendido em cápsulas. In natura o efeito é menor”, explica a nutricionista Barbara Sanches. A alcachofra em conserva, reduzida aos corações, tem os mesmos efeitos da fresca e é mais prática, embora menos bonita que a flor inteira. Pelo sabor delicado, a alcachofra é um bom acompanhamento para quase tudo o que se possa imaginar.

ACELGA

Tem efeito anticoagulante, anti-inflamatório, antialérgico e antioxidante. Parece bula de remédio, mas, refogada com shoyu, cria uma delícia oriental fácil e rápida de fazer. “É um alimento simples, barato, ao qual não se dá muito valor. O ideal é que seja consumido duas ou três vezes por semana”, recomenda o nutrólogo Edson Credidio.

TALO E FOLHAS DE BETERRABA

Isso mesmo: a parte que todo mundo joga fora também é rica em ferro e ácido fólico – importantes na prevenção de doenças cardíacas – e fibras solúveis, que ajudam a diminuir o colesterol. Coma-os crus, picadinhos na salada, ou refogados, de preferência acompanhados de laranjada ou algum suco cítrico, para aumentar a absorção do ferro.

SEMENTE DE ABÓBORA

Aquela salgadinha, comprada em supermercado como aperitivo, é boa no combate a fungos, parasitas e bactérias, além de melhorar a circulação. O alto teor de magnésio foi ligado à queda do risco de morte prematura em homens. Recomenda-se o consumo diário de um punhado (fonte de 150 miligramas de magnésio), com casca e tudo. Já a cervejinha…

BANANA VERDE

Nanica, maçã ou prata, a condição é que seja verde. “Nem semiamarelinha vale”, avisa a nutricionista Barbara Sanches. Pelos pré e pró-bióticos, faz maravilhas pelo sistema digestivo. O truque: cozinhe em panela de pressão, com casca; depois, descasque e bata no liquidificador. Assim neutralizada, pode ser misturada a sucos de frutas e à massa de pães e bolos. “Coloque o equivalente a uma banana para cada porção do prato. Não dá nem para sentir o gosto”, garante Barbara.

ROMÃ

Popular no Brasil apenas nas festas de passagem de ano (quando comer sete sementes e guardar os caroços na carteira é suposta garantia de prosperidade), essa fruta, além de ser rica em vitamina C, diminui a pressão arterial e melhora a circulação do sangue. O consumo de dois dedinhos de suco de romã diariamente pode reduzir a pressão arterial máxima, ou sistólica, em até 20%. Por causa do passado mitológico como fruto da fecundidade, dizem que é bom para outras coisas também. Esse campo sempre é duvidoso, mas que tal ver se é funcional mesmo?

GELEIA REAL

Nada a ver com geleia – o creme tem gosto ácido e forte; deve ser congelado e consumido em raspas (também existe em cápsulas e pode ser misturada com mel). Obrigatória em lojas de produtos naturais, é o alimento que as abelhas fazem para sua rainha. Nos humanos, ajuda a reduzir o colesterol e a pressão arterial, ativa o sistema imunológico, tem ação anti-inflamatória e antienvelhecimento e é boa para a regeneração celular. Recomenda-se meia colher de chá (de plástico, porque o aço oxida a geleia) de raspas ao dia, pura, em jejum, para se desfazer sob a língua.

COGUMELO SHIITAKE

O cogumelo previne contra diabetes, colesterol alto e hipertensão arterial. Comporta vários cozimentos, em especial ao forno ou refogado, com alho e um fio de azeite. Delicioso em qualquer versão, é um curinga dos regimes. “Há indicações de que tem efeito antitumoral, mas os estudos ainda estão em andamento”, explica Jocelem Salgado, professora de nutrição humana da Esalq e presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais.

AVEIA

O componente ativo chamado betaglucana ajuda na redução do colesterol total e do LDL, o ruim. É uma mina de fibras. Para variar, experimente sobre frutas picadas ou no lugar da engordativa farofa, em cima do arroz e feijão. Quem não está em regime de redução de calorias pode caprichar: a dose recomendada é de quatro colheres de sopa de aveia integral, em pedaços grossos, por dia.

PIMENTA-MALAGUETA

No índice de ardência das pimentas criado em 1912 pelo químico William Scoville, a malagueta fica entre 50 000 e 100 000 pontos – muitíssimo mais suave que a recordista, a indiana naga jolokia (até 1 000 000), mas à frente da tabasco (30 000 a 50 000) e da jalapeño (2 500 a 8 000). Levanta qualquer prato. Consumida todo dia, de preferência in natura, tem alta ação vascular e bactericida.

CANELA

Em pau ou em pó, ela ajuda a controlar a glicose no sangue (e por isso é eficaz no tratamento de diabetes) e também o colesterol. Polvilhe uma colher de chá na banana, na maçã, no café ou faça um chá e tome toda noite. Na forma de balas e chicletes, atua muito pouco, porque a concentração do princípio ativo é ínfima.

Fonte: Revista Veja

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Combine o sabor com os nutrientes do grão-de-bico

Confira duas receitas em que o grão-de-bico é o ingrediente principal

Grão-de-bico contém muito triptofano, aminoácido essencial para a produção da serotonina Foto: Gilmar de Souza /

Os alimentos funcionais estão em alta. Há quem atribua a eles efeitos curativos, mas os pesquisadores preferem vê-los como detentores de efeitos preventivos a doenças, devido a certos princípios ativos. São considerados funcionais alimentos ou ingredientes que, além das funções nutricionais básicas, quando consumidos como parte da dieta usual produzem efeitos metabólicos, fisiológicos e/ou benéficos à saúde.

O uso de certos alimentos na redução do risco de doenças não é uma novidade. Hipócrates, há mais de 200 anos, já defendia a ideia de fazer do alimento um medicamento. Mas foi na década de 1990 que os pesquisadores mostraram maior interesse pelo tema. O Japão foi o pioneiro na produção e comercialização de alimentos funcionais.

Os estudiosos garantem que, para se beneficiar, é necessário que o consumo seja regular. O ideal é que as pessoas passem a consumir mais vegetais, frutas e cereais integrais, já que grande parte dos componentes ativos estudados está presente nesses alimentos.

Propriedades
O grão-de-bico, acreditam os pesquisadores, combate a depressão. Com muito triptofano, aminoácido essencial para a produção da serotonina, substância que traz sensações agradáveis, a leguminosa é fonte de ferro, carboidratos e proteínas. Sua casca é rica em fibras. No entanto, por concentrar também substâncias que dificultam a absorção de nutrientes, a maioria das receitas pede a semente descascada.

Confira duas receitas em que o grão-de-bico é o ingrediente principal.

Homus

- 250g de grão-de-bico
- suco de 2 limões médios
- 1 colher de sopa (rasa) de sal
- 3 dentes de alho socados
- 3 colheres (sopa) de tahine (pasta de gergelim)
- 1/2 molho de salsa
- azeite de oliva
1. Deixe o grão-de-bico de molho de um dia para outro.
2. Cozinhe até que fique al dente.
3. Escorra, reservando uma xícara da água do cozimento.
4. Esfregue os grãos, para remover o máximo possível das cascas.
5. Em um liquidificador, bata os grãos, o limão, o alho e parte da água do cozimento.
6. Se ficar muito denso, acrescente mais água do cozimento ou água fria comum.
7. Volte a processar até que a massa adquira a consistência de um purê.
8. Acrescente o sal e o tahine e processe novamente.
9. Passe para o prato de servir e acrescente salsinha bem picada.
10. Regue com azeite de oliva.
11. Sirva com pão árabe.
- Porções: 10

Salada de grão-de-bico

Ingredientes
- 1 cebola em fatias finas
- 1 lata de sardinha com óleo
- 1 xícara de grão-de-bico cozido
- 1/2 pimentão verde em fatias finas
- 5 ramos de salsa picadas
- 1 colher (sopa) de azeite
- sal e pimenta-do-reino
- 1 tomate em gomos
- alface
Preparo
1. Deixe o grão-de-bico de molho de um dia para outro.
2. Cozinhe até que esteja al dente.
3. Esfregue os grãos, removendo o máximo possível das cascas. Reserve.
4. Coloque a cebola de molho em água fria por cerca de 30min.
5. Misture a sardinha com o grão-de-bico cozido e adicione o pimentão, a salsinha e o azeite.
6. Escorra as cebolas e adicione à salada.
7. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto.
8. Cubra com filme-plástico e leve à geladeira por 30min.
9. Na hora de servir, acrescente as fatias de tomate e a alface.
- Porções: 2

Fonte: DonnaDC

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Vive-se mais pela boca

Entre todas as medidas estudadas que visam o prolongamento da vida, a restrição calórica é a única que conta com unanimidade.

– Durante mais de 70 anos, cerca de 100 estudos científicos comprovaram que a diminuição em 40% das calorias consumidas durante a vida de pequenos animais aumenta em 40% a duração da vida. O tempo extra não implica sobrevivência com doença. Constataram menos artrite, câncer e outras doenças degenerativas – explica o médico Renato Maia, chefe do Centro de Medicina do Idoso, do Hospital Universitário de Brasília.

Alimentar-se bem reduz o risco de adoecer. Os responsáveis por alimentar e, ao mesmo tempo, “medicar” são os alimentos funcionais, que, além das funções nutritivas básicas, produzem efeitos metabólicos e fisiológicos. Os componentes isolados desses alimentos são os nutracêuticos, oferecidos na forma de barras, cápsulas e em pó.

O nutricionista Clayton Camargos explica que hoje discute-se a nutrigenética, a possibilidade de mudar traços genéticos a partir da dieta.

– A geração de hoje tem a possibilidade de chegar aos 90 anos como se estivesse com 60 – afirma.

Confira os alimentos funcionais que ajudam a garantir uma “sobrevida”

- Ômega 3: em peixes de água fria e frutos do mar. Protege contra doenças cardiovasculares, aumenta o colesterol bom (HDL) e diminui o ruim (LDL) e evita a formação de coágulos sanguíneos na parede arterial.

- Licopeno: no tomate e na melancia. Reduz a concentração de radicais livres.

- Carotenoides: na cenoura, no mamão e na abóbora. São essenciais para a visão, para estimular o sistema imunológico e para proteger contra doenças cardiovasculares.

- Flavonoides: nas uvas, vinhos, amoras e morangos. Possui propriedade anticarcinogênica, anti-inflamatória e antialérgica.

Genética

Ainda não é possível detectar por meio do material genético se a pessoa sofrerá de doenças associadas à velhice, como parkinson, alzheimer, cardiopatias e hipertensão, mas já existem diversos estudos voltados a descobrir os genes responsáveis por esses problemas.

Fonte: Pioneiro

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