Antioxidante e fotoprotetora

A pós-doutoranda Lydia Fumiko Yamaguchi, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), foi premiada no 2010 Joint Annual Meeting da American Society of Pharmacognosy e da Phytochemical Society of North America, ocorrido em julho, na Flórida, nos Estados Unidos.

O estudo “Biflavonoids biosynthesis in leaves and cell cultures of Araucaria angustifolia” – que envolveu a participação de outros pesquisadores – tenta desvendar os mecanismos bioquímicos e fisiológicos que levam à produção de substâncias conhecidas como biflavonoides na araucária (Araucaria angustifolia), também chamada de pinheiro brasileiro.

O trabalho foi o vencedor na categoria pôster para pós-doutorandos e Lydia recebeu certificado e prêmio em dinheiro. O resultado apresentado envolveu pesquisas conjuntas realizadas no Laboratório de Produtos Naturais (IQ) e no Laboratório de Biologia Celular (Biocel), do Instituto de Biociências da USP.

Seu projeto de pós-doutorado, intitulado “Estudo da biossíntese e das propriedades antioxidantes de biflavonoides de Araucaria angustifólia”, teve supervisão do professor Massuo Jorge Kato, do IQ. O trabalho, com Bolsa da FAPESP, está vinculado a diferentes projetos do Programa Biota-FAPESP.

De acordo com Lydia, durante seu doutorado (em que também teve Bolsa da FAPESP) o trabalho focou no estudo da purificação dos biflavonoides, sua identificação e atividade antioxidante e fotoprotetora. “Em estudos prévios, havia sido descrito a presença dessas substâncias na araucária, mas não havia trabalhos que investigassem sua atividade”, disse à Agência FAPESP.

“No estudo, descrevemos a atividade antioxidante e fotoprotetora desses compostos. Após esta fasem decidimos estudar os processos biossintéticos que ocorrem nas folhas (acículas) da planta”, disse Lydia.

Com o término do doutorado em 2004, Lydia iniciou pesquisas no pós-doutorado para investigar como esses biflavonoides são biossintetizados pelas araucárias, tema então ainda pouco explorado.

Uma das dificuldades, quando iniciou os estudos com enzimas da folha da araucária, foi conseguir padronizar os experimentos. Por conta disso, decidiu estudar variações sazonais e circadianas da atividade enzimática.

Chegamos à conclusão de que as enzimas eram ativas à noite e que em determinadas épocas do ano não havia atividade enzimática. Isso era mais um complicador para trabalhar com as acículas, além da presença de algumas substâncias como fenólicos, proteases e clorofila, que também podem interferir no estudo enzimático”, explicou.

Em culturas celulares mantidas no Biocel – que investiga a fisiologia da araucária e mantêm células embrionárias em cultura –, a pesquisadora pôde constatar que não havia produção de biflavonoides nas culturas. Mas, ao adicionar apigenina [flavonoide natural, encontrado em frutas e vegetais], um precursor da biossíntese, foi possível observar a produção de biflavonoides.

“A surpresa foi que conseguimos identificar o mesmo biflavonoide que havia nas folhas. Consideramos que outras enzimas e proteínas seriam responsáveis pela formação final desses compostos”, disse.

Segundo a pesquisadora, na cultura celular não havia ou não estava ativa a maquinaria para formação do precursor. “Não havia a produção de biflavonoides pela falta do precursor e ao adicioná-lo, o sistema biossintético para produção das substâncias entraria em ação”, disse.

Preservação da espécie

De acordo com Lydia, os resultados do estudo abrem a perspectiva de uma melhor compreensão dos fenômenos da formação dos biflavonoides e das suas funções biotecnológicas e ecofisiológicas.

A presença dos bioflavonoides suscita interesses tanto para o estudo de suas funções ecofisiológicas como para utilização em algum produto cosmético ou farmacêutico”, disse.

Outra planta que contém os mesmos tipos de biflavonoides é a Ginkgo biloba, muito utilizada na medicina tradicional chinesa. “Mas a ideia da pesquisa durante o doutorado com a araucária era ter uma fonte brasileira de biflavonoides para ser utilizado em cosméticos, nutracêuticos e outros tipos de produtos”, disse, explicando que foi feito um pedido de patente relacionado ao tema da pesquisa.

“Conhecer os mecanismos bioquímicos e fisiológicos da planta é de grande importância também por gerar conhecimento básico sobre ela mesma, além de ajudar na preservação da espécie”, destacou.

A pesquisadora lembra que a Araucaria angustifolia é uma conífera endêmica da América do Sul e que “a exploração indiscriminada a colocou na lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção”.

De acordo com o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, dos 20 milhões de hectares originalmente cobertos pela floresta de araucária no país, atualmente, restam apenas 2%.

Nas próximas etapas da pesquisa, Lydia pretende realizar o sequenciamento das enzimas e das proteínas relacionados à biossíntese de biflavonoides e de seus respectivos genes. Segundo ela, o trabalho premiado – que foi apresentado em formato de pôster –, será acrescido com mais dados e, posteriormente, submetido para publicação.

Participam das pesquisas o professor Massuo Kato, coordenador do Laboratório de Produtos Naturais do IQ, a professora Eny Segal Floh, coordenadora do Biocel e do projeto “Estudos de embriogenese e conservação em espécies arbóreas”, e a professora Vanderlan Bolzani.

O trabalho premiado é assinado por Lydia Yamaguchi, André L. W. dos Santos, pós-doutorando do Biocel, e Ana Lúcia Peluzzo, bolsista de iniciação científica do Biocel, além dos professores Kato e Eny.

Fonte: Planeta Universitário

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Suco de uva é o elixir da longevidade no Rio Grande do Sul

Mesmo ingerindo uma quantidade razoável de gordura saturada, idosos da região conseguem equilibrar a saúde devido aos antioxidantes e protetores genéticos existentes no suco da fruta.

O importante é ter bom senso. E se o guaraná é a uva do norte, vamos ver como envelhecem as pessoas, no Sul, e que tomam suco de uva todo dia.

Tereza Torri e seu Joaquim Torri, de 81 anos. São casados há 53 anos e os dois são descendentes de italianos. Famílias grandes, sustentadas com muito trabalho duro na roça. Joaquim diz que começou a trabalhar aos dez anos, carregando grandes balaios de uvas. A esposa conta que cuidava da casa, da horta e dos animais.

Eles já têm 80 anos de idade, e preparam o almoço: polenta, verduras e salame frito.

Quando perguntados sobre o que os médicos dizem a respeito da alimentação deles a vida inteira, a base da polenta e linguiça frita. Joaquim é radical: “é tanta coisa que eu nem escuto”.

Nos testes, assim como Neves e Iracildes em Maués, Joaquim e Tereza mostraram que estão firmes e fortes. “Depois do 75, você pode tirar do chão quatro quilos, levantar e estender. As frações negativas da gordura saturada que poderia fazer mal para eles, são compensadas com os antioxidantes que têm no suco da uva. A maioria toma suco de uva e toma vinho. Então, eles se encharcam de antioxidantes e protetores genéticos e moleculares”, afirma pesquisador.

Será esta a receita de longevidade de Joaquim? Para quem não pode com álcool, nem com açúcar, os pesquisadores tem uma sugestão: suco de uva ligth feito em casa.

“A melhor uva é aquela mais escura, justamente que o preço é bem econômico e que a gente pode encontrar em grande quantidade, principalmente na época da safra”, dia Ivana.

Basta ferver a uva – pra cada quilo, dois litros de água. O primeiro suco é bem doce. Reserve a polpa, deixe na geladeira por duas, três horas. Na segunda fervura, o suco tem só 1% de açúcar e duas vezes mais antioxidantes, depois, basta coar.

Ele não tem açúcar, mas o sabor da uva continua. E você, já escolheu a sua receita de longevidade? A resposta pode estar em suas mãos.

Fonte: Globo Repórter

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Especialista afirma que guaraná em pó protege contra o câncer

Segundo, Ivana Mânica da Cruz, biogerontóloga da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) o guaraná guarda propriedades antioxidantes, antiinflamatórias e antitumorais.

 

Qual o segredo da longevidade? Muita gente busca o elixir da juventude, uma poção mágica, quase um milagre. Será possível mudar nosso destino genético? Cada um de nós tem um mapa traçado no DNA. Mas as pesquisas indicam novas direções e comprovam que a linha da vida pode tomar outros rumos.

Quem não tirou a sorte grande ao nascer, pode sim, contornar a genética. Tudo depende das escolhas. É como se a vida fosse uma estrada com vários caminhos. Atividade física e boa alimentação levam à trilha mais longa. Quem escolhe o caminho contrário, pode terminar a viagem mais cedo.

Para a maioria, os genes representam apenas 30 % da extensão da vida, já os outros 70 % dependem de nós. Quanta responsabilidade em nossas mãos. Nem todos alcançam a terceira idade em tão boa forma.

O número de idosos na cidade de Maués, no Amazonas, chamou a atenção de um grupo de pesquisadores. Há um ano, eles tentam descobrir o que faz esses idosos viverem tanto tempo.
Os doutores Ivana e Euler já têm uma pista, o diferencial pode estar na dieta amazônica.

“As pessoas comem o peixe tirado do rio e fazem muito exercício. Eles não tem estresse e tomam guaraná. Será que essa é a dieta amazônica da longevidade? nós estamos em busca disto”, diz Euler Ribeiro, médico gerontólogo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Ivana e Euler são especialistas em longevidade e a cada visita aos voluntários, eles se surpreendem.

“O pessoal se admira que eu consigo ficar de cócoras!”, conta Luiz das Neves, de 80 anos.

Neves se orgulha da façanha. Aos 80 anos os testes de flexibilidade e força são feitos como se estivessem apenas conversando. Já o teste de memória é mais difícil para o ele, tal como uma oração, ele conta os muitos filhos.

Neves é o retrato do ribeirinho da Amazônia. Ele vive em uma casa com Iracildes das Neves, de 67 anos, há quase 50 anos. A comida é farta: peixe fresco, frutos da floresta e farinha. Para cuidar da plantação, longas caminhadas e muita atividade física. Neves trabalhou a vida inteira no guaranazal da família. Foi isso que chamou a atenção dos pesquisadores: o guaraná. Muito comum em toda região de Maués. Todo dia, assim que acorda, Neves bebe guaraná.

Veja a receita de Neves:
Água fresca e limpa. Guaraná pensado em um bastão, que ele rala na hora. Meia colherinha com um pouco de açúcar e pronto.

Saúde é o que não falta em Maués. A família Levy vai longe. São oito irmãos. E a casa dos 80 parece muito confortável para estes senhores e senhoras de respeito. O guaraná, é claro, não pode faltar. Foi o que o pai ensinou. Ele chegou a trabalhar como provador da bebida tão apreciada por aqui, mas os irmãos Levy aprenderam muito mais do que cuidar da alimentação.

“Primos meus que bebiam e fumavam já morreram, tinham a mesma idade que eu. Eu nunca bebi, nunca fumei. Então a pessoa tem que cuidar da vida, eu acho que seja assim”, conta Samuel Levy, de 75 anos.

Até que ponto o guaraná deu uma forcinha aos genes da longevidade da família Levy? Estilo de vida ou destino genético? É o que cientistas estão verificando em um laboratório do outro lado do país. Os exames de sangue feitos em Maués, estão ajudando a descobrir o que o guaraná tem de tão especial. Da mata lá na Amazônia, as amostras foram para a Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul e os primeiros resultados destes testes são animadores. Eles compararam os idosos de Maués que tomam guaraná, com os que não tomam.

“Tem menos freqüência de obesidade, de hipertensão, colesterol e triglicerídeos altos, tudo isso. Mas será que é o guaraná mesmo? Porque tem um monte de outras coisas em Maués. Por isso os pesquisadores estão testando no Rio Grande do Sul. Pois a maior parte das pessoas não consome guaraná na sua vida diária. E é por isso que os pesquisadores testam o efeito do guaraná em condições controladas de laboratório”, afirma Ivana Mânica da Cruz, biogerontóloga da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Os testes com os voluntários do Sul mostraram que o guaraná tem mesmo ação antiobesogênica. “O guaraná, assim como outros antioxidantes, como o resveratrol presente na uva e a vitamina C, tem efeitos no controle da entrada da glicose para dentro da célula, que é a primeira etapa para gente se tornar obeso”, afirma Ivana.

Mas, cuidado. Guaraná demais é um perigo, Principalmente para quem tem insônia, ou é hipertenso.

Assim como uma pessoa diabética não deve tomar o famoso suco de uva, porque tem muito açúcar, para algumas pessoas o guaraná por certo é contraindicado. O guaraná é um alimento ´3 em 1´ porque guarda as propriedades do café, a cafeína, que tem função antioxidante, as propriedades do chocolate, que são a teobromina e a teofilina, que tem propriedades vasodilatadoras e as catequinas do chá verde, que guardam as propriedades antioxidantes, antiinflamatórias e antitumorais”, explica Ivana.

Fonte: Globo Repórter

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