Demanda por orgânicos na Europa pode abrir mercado para brasileiros

A demanda do mercado europeu por alimentos orgânicos segue em expansão, e os consumidores entendem que produto com valor agregado é aquele que une qualidade e fair trade (comércio justo). Essas foram algumas das observações feitas por técnicos do Sebrae durante a participação na maior feira de agricultura orgânica da Alemanha, a BioFach 2010. O evento aconteceu em Nuremberg, de 16 a 19 de fevereiro.

O grupo permanece esta semana no país para visitar supermercados, distribuidoras, empresas e escolas técnicas. Sua missão é trazer informações que promovam a inovação no mercado de orgânicos no Brasil. São 23 participantes, entre coordenadores de carteiras e gerentes das unidades de agronegócios do Sebrae de 13 Estados. Agricultores familiares apoiados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que são clientes do Sebrae também participaram da feira.

“A questão de embalagens para produtos orgânicos é um dos maiores desafios do setor, pois há uma grande demanda e pouca oferta”, afirma a coordenadora da carteira de agroecologia da instituição, Newman Costa. Segundo ela, os dados de crescimento de produtos orgânicos na Europa são surpreendentes. “Existe um mercado enorme para nossos produtos na Europa, mas precisamos nos adequar ao padrão exigido pelo mercado internacional e melhorar o padrão de qualidade”, afirma. A carteira de orgânicos do Sebrae conta hoje com 54 projetos.

Durante a BioFach, a equipe foi convidada pela organização da feira para uma palestra sobre o mercado brasileiro e suas estratégias de atuação nos eventos de reconhecimento internacional como Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada em 2016.

O grupo brasileiro também visitou mercados revendedores de orgânicos nas cidades de Frankfurt e Nuremberg, para verificar como os consumidores compram direto do produtor e, principalmente, a relação entre cliente e fornecedor, tendo como foco a comercialização e a logística de distribuição. A missão visitou ainda o Basic Frankfurt (com 6 mil produtos orgânicos e 24 lojas – segunda em faturamento na Alemanha) e a Al Nature (8.500 produtos orgânicos e 84 lojas na Alemanha – primeira em faturamento no país).

Adriano Matos Rodrigues, técnico do Sebrae no Espírito Santo, identificou na empresa Hutzelhof um canal de comercialização para os produtores do seu Estado. “A empresa comercializa cestas prontas, com frutas, legumes e verduras, para serem entregues nas residências. Outros produtores podem fornecer para ela complementando sua variedade de produtos”.

Para Maria de Fátima dos Santos, técnica do Sebrae em Alagoas, um ponto que chamou atenção foi o estímulo feito para que as crianças da Europa consumam desde cedo frutas e legumes. Fátima conta que é grande a diversidade dos produtos orgânicos existentes no mercado, que vai desde alimentos para recém-nascidos até fabricação de absorventes, vestuário, material de limpeza. “É uma grande oportunidade para pequenos empreendedores da agricultura familiar, artesanato e vários outros segmentos”, afirma.

O tamanho das possibilidades do mercado de orgânicos também impressionou o gerente da área de desenvolvimento territorial do Sebrae/RJ, Antonio Batista. “Enquanto no Brasil há uma ênfase forte nos produtos “in natura”, a feira apresentou os mais diferentes tipos de processados: desidratados, embutidos, pré-cozidos, cristalizados, entre outros. Esta diversificação é importante em função da ampliação do ciclo de vida dos produtos, maximizando o prazo de validade e, por conseguinte, o atendimento a mercados em distâncias mais ampliadas”, disse.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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Agricultura familiar participa da Biofach pelo oitavo ano

Em todo o mundo os orgânicos movimentam cerca de 26 bilhões de dólares ao ano. O país mais desenvolvido neste sentido é a Alemanha, onde 40% dos alimentos consumidos já são orgânicos, e a tendência é que este número aumente cada vez mais. A expansão do mercado de produtos orgânicos no Brasil se reflete no crescimento da Biofach, a maior feira de orgânicos do Mundo que teve início ontem na Alemanha. Neste ano a participação na feira apresentou aumento de 50% em relação a 2009, passou de 9 para 15 empreendimentos.

Para o diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo de Campos, a agricultura orgânica pode ser a alternativa de renda de muitas famílias brasileiras.

O diretor do MDA reforça que este mercado está em crescimento em todo o mundo. “É um mercado que cresce a taxas de mais de um dígito. O mercado de orgânicos, no Brasil, cresce mais de 20% ao ano e, no mundo, cresce acima dos 10% ao ano. Hoje ele cresce substituindo o produto convencional. Mesmo que o consumidor esteja retraído, ele acaba trocando, sempre que ele pode, o produto convencional pelo produto orgânico, porque isso é uma questão de saúde, uma questão ambiental”.

O aumento da demanda por produtos orgânicos faz com que cresça a produção. Mas mesmo com este aumento, o setor de orgânicos ainda é uma boas aposta para os agricultores familiares, como reforça o produtor rural Francisco Marcolino. “O consumidor hoje do produto orgânico cada dia que passa ele cresce, e por mais que você cresça também, aumente a produção, a associação cresça com novos produtores, hoje a demanda ainda é maior que produção que a gente tem”.

Dados recentes mostram que no Brasil, cerca de 80% dos 20 mil produtores orgânicos brasileiros são originários da agricultura familiar. O setor orgânico movimenta cerca de R$ 500 milhões ao ano. O mercado internacional também é muito promissor e hoje chega a absorver cerca de 70% da produção orgânica nacional.

Fonte: MS Notícias

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Itaipu leva projeto de agricultura orgânica à Alemanha

Empresa apoia produtores da região para a exposição de produtos na maior feira mundial de orgânicos, a Biofach

A Itaipu Binacional, por meio do programa Desenvolvimento Rural Sustentável, está apoiando um grupo de produtores rurais orgânicos da região da Bacia do Paraná 3 a exporem seus produtos na maior feira de orgânicos do mundo: a Biofach 2010, em Nuremberg, na Alemanha, de 17 a 20 de fevereiro. A feira reunirá cerca de 2.500 expositores e 46.000 visitantes, de aproximadamente 100 países.

A oportunidade de participar desse evento surgiu a partir de um convite da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha durante a Ecogerma 2009, feira que contou com a participação do Cultivando Água Boa. Além de quatro agricultores orgânicos, a comitiva será composta de três representantes da Itaipu e um da rede de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Os produtos Vida Orgânica terão um estande próprio dentro do espaço Organics Brazil.

A divulgação e comercialização dos produtos orgânicos fazem parte das ações do programa Cultivando Água Boa, que vem auxiliando os agricultores da região a conhecerem a realidade do mercado de orgânicos, bem como a se especializarem nos processos de marketing e vendas, sem deixar de lado os conceitos de sustentabilidade e de comércio justo.

Essa iniciativa faz parte de uma série de projetos voltados ao setor agropecuário que o Cultivando Água Boa desenvolve na Bacia do Paraná 3 (BP3), região de influência do reservatório da usina. Como se trata de uma região em que grande parte das propriedades rurais é de pequeno porte (43% até 10 hectares e 80% até 50 hectares), vale dizer que são ações voltadas à agricultura familiar. “Somente com a sustentabilidade dessas propriedades é que será possível melhorar a qualidade ambiental da região”, afirma o superintendente de Meio Ambiente da empresa, Jair Kotz.

A princípio, a proposta central do programa Desenvolvimento Rural Sustentável, criado em 2003, como um dos principais eixos do Cultivando Água Boa, era somente promover a conversão de propriedades para a agricultura orgânica. Mas, com o tempo, o leque de ações se abriu e hoje engloba a diversificação de culturas, sistemas agroflorestais e a abertura de novos canais de comercialização para os produtores – como a introdução de alimentos orgânicos na merenda escolar e a promoção de Feiras Vida Orgânica – e o cultivo de plantas medicinais.

A Itaipu e uma série de parceiros, organizados em um comitê gestor, puseram em prática um processo gradativo de adoção de técnicas agroecológicas nas propriedades rurais. Conforme explica o coordenador do programa, João Passini, o primeiro passo é a utilização de implementações tecnológicas como terraceamento e plantio direto na palha, que reduz perdas de solo e inicia um processo de acúmulo de fertilidade. Na segunda fase, entram melhorias no sistema produtivo local, com melhores práticas de manejo e adubação. Até aqui, se trabalha com as atividades produtivas adotadas na propriedade.

Na terceira fase, o programa propõe a diversificação, acrescentando novos produtos ao sistema, como o plantio de árvores em área de pastagem, que além de proporcionar sombra para o gado, constitui nova fonte de receita à propriedade. Propõe também outros cultivos, como fruticultura ou plantas medicinais. “A principal vantagem dessas práticas sustentáveis é a diminuição de custos de produção e a diversificação de receitas. Hoje, cerca de 1.500 propriedades rurais familiares adotam algum tipo de prática agroecológica na região”, comemora o coordenador.

Uma das conseqüências da agricultura moderna, voltada à monocultura e ao uso intensivo de agrotóxicos, foi a erosão do conhecimento tradicional sobre processos naturais ligados ao cultivo de alimentos. Hoje, muitos agricultores desconhecem técnicas eficientes que eram praticadas há algumas gerações. Para fazer esse resgate, o programa se vale de duas ferramentas principais: Educação Ambiental e Rede de Ater.

Segundo Passini, a assistência técnica gratuita é um dos eixos do programa. Atualmente, 26 técnicos estão à disposição dos produtores atendidos. Eles são oriundos das instituições parceiras, como a Capa (Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor), a Biolabore, o Instituto Maytenus, a Emater e a Sustentec (Produtores Associados para o Desenvolvimento de Tecnologias Sustentáveis). “A Rede Ater atua de forma sistêmica, onde a propriedade rural como um todo é analisada de forma conjunta, sempre considerando os anseios da família”, acrescentou Passini.

Alguns dos resultados do Desenvolvimento Rural Sustentável:

- 967 Agricultores orgânicos e em conversão em 2009
- 20 mil visitantes nas 16 Feiras Vida Orgânica
- 59 instituições envolvidas na Rede Ater
- 1.500 propriedades com práticas agroecológicas
- 102 agentes de extensão rural (agricultores líderes)

Fonte: H2Foz

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