Armadilhas à mesa

Alimentos são saborosos, satisfazem, ativam o sistema imunológico, melhoram o desempenho sexual, nutrem e limpam o organismo. No entanto, esse efeito está longe de ser conquistado com a maior parte do que temos colocado no prato. Veja o que pode ser considerado um verdadeiro perigo para sua saúde, segundo o time de nutricionistas que consultamos.

Lucas Teodoro Feltes de Souza, 6 anos, ainda era um bebezão quando seus pais perceberam que algo estava errado. De madrugada ele acabava vomitando tudo o que tinha comido durante o dia, e vivia com a barriguinha estufada, conta Gisele, a mãe de Lucas. Depois de uma bateria de exames pedida pelo gastroenterologista, a família acabou descobrindo o problema. Foi só cortar o leite, seus derivados e ovos que Lucas melhorou. Mas quem pensa que uma mudança dessas é coisa fácil para um menininho pequeno está muito enganado. Hoje ele só toma leite com baixa lactose ou de soja, mas sempre tem vontade de comer o que não pode. Acabamos negociando. Se hoje ele já comeu um pedacinho de queijo, deixa o iogurte ou o chocolate para outro dia. Desse jeito não passa mal. (Priscila Forone/Gazeta do Povo)

Refrigerante

Por que

Guaraná, laranja, cola, zero ou light. Não importa o tipo do refrigerante, evite. Segundo a Nutricionista Vilma M. Juraski, especialista em Nutrição Funcional e Biomolecular, os refrigerantes são adoçados com frutose, um tipo de açúcar invertido quimicamente, que adoça três vezes mais que o açúcar da cana, e é muito usado na indústria alimentícia. Esse tipo de açúcar se transforma rapidamente em gordura quando ingerido. Porém, o aumento em geral no consumo de calorias é nítido e correlaciona-se com o aumento alarmante da Síndrome Metabólica que é fator de risco para as doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e derrames cerebrais), vasculares periféricas e diabetes, hipertensão e obesidade.

Já o refrigerante light que contiver sorbitol não é aconselhável. Se os refrigerantes forem consumidos com bebidas alcoólicas, pior ainda. O álcool agride a mucosa estomacal e sobrecarrega o fígado.

Alternativa

Quer se refrescar? Tome água ou água de coco natural, que, além de ser refrescante e ótima para reidratação, é prontamente aceita pelo corpo, melhorando a digestão e a absorção de vitaminas solúveis em gorduras e de aminoácidos.

Fritura

Por que

A gordura dificulta a digestão e pode provocar sensação de estômago pesado. Quando se aquece o óleo vegetal em alta temperatura, ele transforma-se em acroleína, uma substância altamente cancerígena, que destrói as fibras elásticas das artérias, irritando a mucosa gastrointestinal e até nasal. “As artérias são as grandes vítimas, mas as frituras também levam à degeneração e ao envelhecimento precoce da pele e a problemas cardíacos”, explica Vilma Juraski.

Alternativa

Para frituras rápidas, prefira os óleos monoinsaturados, como azeite de oliva e óleo de canola, e evite aquecer até sair fumaça.

Trigo

Por que

Os alimentos refinados, como é o caso da farinha de trigo, estão ligados à obesidade e apresentam apenas calorias vazias, pois durante o refino perdem nutrientes importantes. Vários estudos mostram os malefícios dos cereais refinados, que estão associados ao aumento do risco de câncer, doenças cardiovasculares e diabetes, por exemplo.

Alternativa

Reduza ou elimine pão e macarrão brancos, optando pelas versões integrais. Substitua o pãozinho por uma fruta e castanhas, que deixam qualquer um bem alimentado. A farinha de trigo integral é um alimento rico em vitaminas do complexo B e em fibras, ela melhora o processo digestivo, diminui risco de câncer de colo, porque proporciona melhor funcionamento do intestino.

Há 15 anos, depois da administradora Carmen Lucia Kramar, 43 anos, ter engordado 30 quilos durante a gravidez, ela resolveu só abrir a boca para uma alimentação saudável. Passei a tomar leite desnatado, cortei o açúcar e frituras, diminuí o sal, passei a consumir arroz integral e a comer mais frutas, verduras e legumes, conta. Mas as mudanças foram ficando para trás e recentemente Carmen descobriu o hipotireoidismo. Isso e uma fase difícil que passei na vida profissional me fizeram engordar ainda mais. Há dois anos cheguei a pesar 111 quilos, meu colesterol foi para as alturas e já estava quase diabética. Reeducação alimentar de volta à pauta, Carmen tem uma nova vida. Já eliminei 26 quilos, aumentei massa magra, minha glicemia e colesterol voltaram quase ao normal e estou muito mais disposta e bonita, comemora (Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Açúcar

Por que

A glicose, ou o açúcar dos alimentos, não faz mal à saúde. O problema está no açúcar refinado, que pelo processo ganha aditivos químicos e acaba perdendo as fibras, os sais minerais, as proteínas e os demais nutrientes. Considerado cada vez mais o “veneno branco”, o açúcar prejudica o sistema imunológico e produz um estado de superacidez que desmineraliza o organismo. O corpo, então, passa a ter falta de cálcio, magnésio, zinco, cobre, selênio e outros nutrientes. Outros problemas como cáries, diabetes e obesidades estão ligados ao excesso de açúcar na dieta.

Alternativa

O açúcar cristal é menos prejudicial do que o refinado, mas o mascavo é considerado ainda melhor, pois mantém as características da cana. Para quem não tem problema de excesso de peso, o mel é uma opção saudável, desde que seja de boa procedência. Entre os adoçantes dietéticos, os feitos à base de stévia são a alternativa mais saudável.

Churrasco

Por que

O aquecimento da carne nessas condições induz à formação de diversos compostos indutores de câncer, como N-nitroso e aminas mutagênicas. De acordo com a nutricionista funcional Débora Maria Russo, a fumaça produzida pela brasa do churrasco é rica em alcatrão, substância que fica impregnada na crosta da carne. Quanto mais bem passada, ou seja, quanto maior o tempo de exposição à fumaça, maior o perigo.

Alternativa

Prefira carnes grelhadas ou cozidas. Durante um churrasco, procure consumir alimentos como brócolis, couve-flor, acelga ou couve, que são ricos em glicosinolato e ajudam a minimizar o problema.

Achocolatado em pó

Por que

O problema maior dos achocolatados tomados com leite, explicam as nutricionistas, não é o chocolate, mas a grande quantidade de aditivos e de açúcar. Se o achocolatado está relacionado com dores de cabeça, é possível que ele contenha malte na fórmula.

Alternativa

O cacau – e não o achocolatado – é fonte de fibras, triptofano, feniletilamina, cobre, vitamina C, zinco, ferro, cromo, magnésio e tem mais antioxidantes que o vinho tinto e açaí juntos. Experimente consumir as sementes ou barrinhas de cacau, ou misture-o em pó no leite e outras bebidas. Prefira os orgânicos.

Atleta, o engenheiro ambiental Ivo Reck Neto, 24 anos, resolveu experimentar uma mudança radical na alimentação durante o período que ficou afastado dos campos de punhobol. Com medo de engordar por causa da diminuição da atividade física, há quatro meses não engordura mais as mãos em salgadinhos nem passa perto de bolachas recheadas. Também reduziu bastante o consumo de arroz, pães e massas. Bebidas, agora, só sem açúcar. Até as frutas ele anda rejeitando. Em compensação, come bastante salada, carnes e cereais. A primeira semana foi difícil, sinistra mesmo. Mas agora já estou me sentindo bem melhor. Perdi peso e, se coloco um chocolate na boca, já sinto um incômodo pela quantidade de açúcar, coisa que não percebia antes, diz (Pedro Serápio/Gazeta do Povo)

Sal

Por que

Além de irritar a mucosa do estômago (o sal está ligado a casos de câncer de estômago), ele é causador do aumento da pressão arterial, um fator importante de risco para a doença cardiovascular.

Alternativa

Use ervas naturais, como alecrim, orégano, salsa e cebolinha, com azeite de oliva. Essas ervas fazem com que o alimento tenha sabor ressaltado mesmo na ausência de sal. A melhor coisa a fazer é habituar o paladar a uma quantidade menor de sal. O uso indiscriminado de temperos industrializados faz com que a dieta do brasileiro seja uma das mais ricas em sódio. Ao usar o sal, troque o refinado pelo natural, ou marinho integral, que tem traços de diversos outros nutrientes e é iodado.

Industrializados

Por que

Ao ingerir 100 gramas de biscoitos, bolos ou sorvetes industrializados, a capacidade de defesa do organismo é reduzida em 50%. A lista dos aditivos químicos tem milhares de itens, grande parte destinada a alterar a cor e o sabor dos alimentos. São corantes, estabilizantes, aromatizantes e edulcorantes, “letrinhas miúdas que contribuem para processos alérgicos, dores de cabeça, obesidade, arteriosclerose e aumento dos riscos de doenças cardiovasculares”, segundo Christiane de Mesquita Barros Almeida Leite, nutricionista do Hospital de Clínicas da UFPR e conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas. “Embora o biscoito recheado seja doce, ele tem sal, o sódio. E até mesmo quando dizem que não têm gordura trans, são feitos com óleo de palma, que tem efeito danoso similar”, explica Vilma Juraski.

Alternativas

Conheça as seções de alimentos naturais e orgânicos nos supermercados, frequente feiras e tente conhecer novos sabores saudáveis. À medida que for se familiarizando com uma alimentação mais natural, seu corpo passará automaticamente a rejeitar “alimentos-veneno”.

* * * * * *

Serviço

Christiane de Mesquita Barros Almeida Leite, nutricionista do Hospital de Clínicas da UFPR e conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas, fone (41) 3264-7500 / Debora Maria Russo, nutricionista funcional, fone (41) 3253-7370 / Vilma M. Juraski, especialista em Nutrição Funcional e Biomolecular, fone (41) 3233-1770.

Livros: Açúcar, o perigo doce, de Fernando Carvalho (Editora Alaúde, R$ 40), Virei vegetariano, e agora?, de Eric Slywitch (Editora Alaúde, R$ 38), Ultra-longevidade, de Mark Liponis (Editora Sextante, R$ 45), Saudável aos 100 anos, de John Robbins (Editora Fontanar, R$ 44,90) e Superalimentos, de David Wolfe (Editora Alaúde).

Para adquirir sucos orgânicos, azeite de oliva orgânico, farinha de trigo integral orgânica, açucar mascavo orgânico, cacau orgânico; além de uma infinidade de outros alimentos orgânicos, funcionais, alimentos sem glúten ou lactose; entre em contato conosco, ataravés do e-mail loja@chacaradeorganicos.com.br  ou do telefone (11) 5084-9697.

Fonte: Gazeta do Povo

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Cacau orgânico da Transamazônica é matéria prima de linha de sabonetes

A indústria de cosméticos Natura lançou nesta terça-feira (25/05), no município de Altamira, região do Xingu, uma linha de sabonete exclusiva, feita com o cacau orgânico produzido na área de influência da rodovia Transamazônica. O produto foi lançado no Centro de Referência de Orgânicos e reuniu cerca de 60 produtores da região, que integram as sete cooperativas de produtos orgânicos da Transamazônica.

Darcírio Wronski, proprietário de uma área de produção de cacau orgânico no município de em Medicilândia, certificado como um dos melhores em aroma no mundo, disse que a negociação com a empresa de cosméticos começou em 2008, quando representantes da Natura visitaram o município. “De lá para cá a comercialização melhorou muito. Este ano estamos vendendo 100 toneladas de cacau orgânico só para a Natura“, informou Wrosnki. 

É da Transamazônica também uma das melhores amêndoas de cacau produzidas no planeta, considerando padrão, aroma, tamanho e peso. O cacau da região possui 23% a mais de manteiga do que o produzido nas demais regiões do país

História – Os sabonetes produzidos com o cacau da Transamazônica trazem nas embalagens um pouco da história de cada uma das famílias, que migraram para a região na década de 70 do século XX e se dedicaram à lavoura cacaueira. 

O cacau orgânico da Transamazônica também já é matéria prima para uma fábrica de chocolates na Europa. No ano passado, a Zoother Chocolateira lançou um chocolate de alto padrão com a amêndoa regional. 

Os produtores contam com o fomento e o apoio técnico oferecidos pela Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) e da Comissão do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Fonte: Agência Pará de Notícias

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Eles dividem o mesmo sonho: querem ‘achocolatar’ o mundo

O encontro entre o baiano Diego Badaró e o norte-americano Frederick Schilling foi um acontecimento de ordem quase sobrenatural, como eles contam.Quando Badaró pegou uma barra de chocolate Dagoba nas mãos pela primeira vez, em 2004, teve um pressentimento: “Naquele dia, tive certeza de que meu caminho se cruzaria com o do cara que fez aquele chocolate”, conta o brasileiro.

O americano não foi menos místico. Começou a produzir chocolate e logo depois teve um sonho, no qual prometeu à deusa do chocolate, Xochiquetzal, dedicar sua vida a fazer o melhor doce do mundo e a preservar as florestas de cacau.

Levou a iluminação onírica a sério. Fundou a Dagoba com um investimento de US$ 20 mil e começou a produzir seu chocolate orgânico. O negócio deu tão certo que acabou sendo vendido mais tarde à gigante Hershey’s por US$ 17 milhões.

Os destinos de Badaró e Schilling se cruzaram, enfim, em 2006, na feira do chocolate de Nova York. Diego deixou uma amostra de seu cacau orgânico, produzido na Fazenda Monte Alegre, no estande da Dagoba. Frederick Schilling provou as amêndoas e adorou: “Eram maravilhosas, estava claro que naquele cacau havia muito cuidado e carinho”.

Começava ali uma intensa troca de correspondência entre os dois em que o assunto, invariavelmente, girava em torno de “chocolate”, “plantar bilhões de árvores de cacau”, “salvar os animais nativos” e “cuidar da floresta”.

Poucos meses depois, Frederick Schilling desembarcou em Itacaré para conhecer o produtor baiano: “Não tinha a menor ideia de como Diego era. De repente, aparece esse cara com voz de barítono, alto, uma grande aura. Em menos de meio segundo, sabíamos que éramos irmãos”, disse Schilling em entrevista, por telefone, ao Paladar, de Ashland, no Oregon (EUA), onde mora.

Diego é integrante da família Badaró, produtora de cacau da região de Ilhéus há cinco gerações – sua família é uma das protagonistas do romance Terras do Sem Fim (1942), de Jorge Amado, livro que narra as disputas de terra entre dois grandes coronéis pelo controle de grandes propriedades cacaueiras.

Badaró até tentou mudar de ramo e formou-se em comércio exterior. Mas, em 2002, “ouviu o chamado do chocolate” e decidiu recuperar as fazendas de cacau da família. Tinha 21 anos e enfrentou a descrença de seus parentes.

Assim como todos os fazendeiros de cacau da região de Ilhéus, a família Badaró sofreu perdas terríveis com a infestação da vassoura-de-bruxa na década de 80. Depois da infestação da praga que dizimou o cacau da região, muitos produtores baianos abandonaram o cultivo.

Recuperar as fazendas e preservar a genética original dos frutos foi uma tarefa árdua. “Os trabalhadores estavam acostumados a misturar os grãos de cacau bons com os ruins”, conta Badaró. “E eram resistentes ao manejo orgânico. Mas bastaram os resultados começarem a aparecer para a postura mudar. Muita gente ali, com décadas de experiência no trabalho, nunca tinha visto um cacau de qualidade.”

Em 2005, confiante de que tinha um bom produto em mãos, Badaró encheu a mala de amêndoas de cacau e foi ao Salon du Chocolat, em Paris. Conquistou seu cliente mais importante, o renomado François Pralus.

O chocolatier francês abastece vários restaurantes estrelados, entre eles La Maison Troisgros, Guy Savoy, Pierre Gagnaire, Le Petit Nice, Le Grand Véfour, além de fornecer matéria-prima para Pierre Hermé e Ladurée.

Fonte: Estadão

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