Secretarias do Meio Ambiente se reúnem para debater projetos sustentáveis para a Copa de 2014

As questões de licenciamento ambiental e os projetos de sustentabilidade das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 foram discutidos nesta quinta-feira (29/7) na 2ª Reunião da Câmara de Meio Ambiente do Ministério do Esporte, em Brasília.

Os debates envolveram obras nos estádios, mobilidade urbana, aeroportos e outros que fazem parte da Matriz de Responsabilidades firmada entre governo federal, estados e municípios.

Os representantes das prefeituras e de governos estaduais presentes à reunião apresentaram relatórios sobre o andamento da instalação das câmaras de Meio Ambientes nos níveis municipal e estadual, e também os trabalhos que vêm sendo realizados nessa área para viabilizar os projetos ligados à Copa do Mundo que precisam levar em consideração as questões ambientais para receberem licenciamento das secretarias estaduais e municipais.

Entre as cidades que apresentaram seus relatórios pela manhã, Belo Horizonte foi um dos destaques. A cidade mostrou a estrutura já montada para acompanhar e certificar os projetos que serão realizados para o Mundial de 2014. Tudo está vinculado ao Planejamento Estratégico Integrado para a Copa, com grupos temáticos organizados em áreas como marketing e turismo, que possui uma lista de projetos, entre eles, o da Lagoa da Pampulha, que envolve desassoreamento, tratamento e saneamento.

A representante do Rio de Janeiro, Márcia Real, explicou que o estado ainda não criou uma Câmara de Meio Ambiente, mas já desenvolve muitas ações de sustentabilidade direcionadas para as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas na cidade e já poderão ser aproveitadas durante a Copa de 2014. Sobre o Estádio do Maracanã, ela disse que o licenciamento ambiental para as obras já está concedido.

Copa Orgânica

O coordenador da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa de 2014 do Ministério do Esporte, Cláudio Langone, falou sobre os projetos que o governo federal deseja desenvolver para a Copa de 2014. Um deles é o da Copa Orgânica, que “visa a ampliar o mercado de produtos orgânicos ou sustentáveis, tendo como objetivo a Copa e com vistas a aumentar a oferta e diminuir os preços desse tipo de produto agrícola”. Para isso, é preciso identificar e certificar os produtores que possam participar da cadeia de distribuição orgânica.

Fonte: SuperEsportes

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Copa 2014: Preocupação com sustentabilidade é chave para negócios

O Meio Ambiente entrou em pauta como um dos assuntos principais para a realização da Copa de 2014 no Brasil e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Não por acaso, a próxima Copa do Mundo será o primeiro grande evento internacional sob regência do novo regime global de mudanças climáticas, que é mais exigente que o Acordo de Kyoto, no que tange à redução de emissão de carbono na atmosfera.

A Fifa solicita, entre outras coisas, que a eletricidade utilizada nos estádios durante os eventos esportivos seja renovável, que o material empregado nas instalações temporárias possa ser reutilizado e que o transporte público de massa seja responsável pela maior parte dos deslocamentos da população entre os estádios. Na Copa da Alemanha, em 2006, foram neutralizadas cerca de 100 toneladas de dióxido de carbono. O mesmo se pretende com o evento da África do Sul.

Claudio Langone, coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade e consultor do Ministério dos Esportes para a Copa do Mundo de 2014, falou sobre o assunto na tarde desta terça-feira (22/06), durante o seminário internacional “Infraestrutura Brasil: Projetos e oportunidades de infraestrutura para o setor esportivo”, que aconteceu no hotel Sheraton, na zona sul do Rio.

Sai mais caro, mas a lógica de custo se estende ao longo do tempo. Por isso, vamos utilizar, na construção dos estádios e arenas, materiais com certificação de órgãos de sustentabilidade para as obras”, diz Langone.

Copa orgânica

Apelidada de “Copa Orgânica”, a estratégia visa a dobrar o fornecimento de produtos orgânicos até 2014 por todo o Brasil. A começar pela alimentação orgânica para as delegações e em torno dos estádios. Outro projeto, “Parques da Copa”, tende a aproximar o teor do turismo ecológico aos centros urbanos que receberão turistas. “Não é possível que recebamos um número significativo de visitantes estrangeiros e não tenhamos parques bem estruturados. Cuiabá e Manaus, por exemplo, foram capitais escolhidas para receber jogos da Copa, entre outros motivos, por causa do Pantanal e Amazônia”, diz Claudio Langone.

Tudo deve ser pensando, segundo ele, pela visão ecológica. A reciclagem de copos descartáveis nos locais de jogos, a utilização de água de maneira racional e até os adereços das torcidas. “As vuvuzelas podem ser de material reciclado, por que não? Mas esperamos que não tenhamos tantas”, brincou Langone.

Fonte: Portal IG

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Produtores orgânicos enxergam grande oportunidade na Copa 2014

Ator Marcos Palmeira, empresário brasiliense Joe do Valle e senegalês Aly Ndiaye, referências nacionais em agricultura sustentável, apostam na competição para transformar a agricultura

Ator Marcos Palmeira, proprietário da Fazenda Vale das Palmeiras (Teresópolis/RJ)

A Copa 2014 poderá ser uma grande oportunidade para a produção orgânica brasileira. Produtores agrícolas familiares, fazendeiros e sitiantes praticantes da agricultura sustentável poderão obter no evento esportivo mundial uma das melhores chances para aumentar o consumo de seus produtos, como também de se tornar fornecedores de alimentos saudáveis para as equipes de jogadores e trabalhadores nas 12 cidades-sede definidas pela Fifa.

“Esses produtos poderão integrar o gathering (fornecimento de alimentação) da Copa 2014”, afirma Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico, um portal sobre produção orgânica no país. Ela foi moderadora de um dos painéis que apresentou experiências inovadoras na Semana Sebrae do Agronegócio.

O evento reuniu três importantes representantes do movimento dos produtores e defensores da agricultura sustentável no país – o ator Marcos Palmeira, proprietário da Fazenda Vale das Palmeiras (Teresópolis/RJ), o agroempresário Joe do Valle, diretor da Fazenda Malunga (Distrito Federal), e o agrônomo senegalês e criador da tecnologia social denominada Pais – Produção Agrícola Integrada Sustentável, Aly Ndiaye.

Antes de abordar a Copa do Mundo, falaram sobre suas trajetórias para inovar técnicas de plantio, cultivo, gestão e relacionamento humano para chegar onde estão. Foram verdadeiras sagas repletas de tentativas, erros e acertos, obstinação e persistência. Atualmente as duas fazendas são marcas consolidadas nos mercados do Rio de Janeiro e Brasília, como fornecedores de produtos orgânicos. O aprendizado é constante e contínuo, de acordo com os três palestrantes. “Primeiro é preciso certificar a cabeça para, depois, produzir orgânicos”, disse Palmeira, brincando.

Beatriz se referiu carinhosamente a Marcos Palmeira, Joe do Valle e Aly Ndiaye como os “três mosqueteiros da produção orgânica brasileira”. Para Aly, a sustentabilidade já está bastante disseminada no Brasil e não faltam consumidores para os produtos orgânicos. Atualmente, a técnica Pais já está difundida e sendo praticada em mais de dez mil unidades produtoras de todas as regiões brasileiras.

“Juntando todas as forças e a Pais, podemos fazer o mapeamento da produção orgânica nas regiões das 12 cidades-sede para quantificar os produtos a serem ofertados. Acredito que podemos fazer tranquilamente da Copa 2014 uma grande oportunidade”, afirmou o agrônomo senegalês, que é gerente da fazenda do ator Marcos Palmeira.

A Fifa, realizadora da Copa 2014, tem grande preocupação com a segurança alimentar. “Talvez o mais difícil será furar o bloqueio político em torno da Copa”, respondeu Palmeira. Ele ressaltou que o evento esportivo mundial poderá representar o primeiro passo firme da produção orgânica brasileira.

A questão da integração e convergência das políticas públicas, necessárias para viabilizar o fornecimento dos alimentos sustentáveis às equipes de jogadores e trabalhadores da Copa 2014 será o maior desafio, segundo Joe. “Teremos oportunidade de fazer a grande revolução da agricultura, já que a convencional está falida”, afirmou o agroempresário brasiliense.

Palmeira e Aly concordaram com Joe. “Não credito mais na agricultura convencional como forma de acabar com a fome no campo, o êxodo rural e melhorar a distribuição de riqueza”, disse o ator. “Não queremos projeto sustentável de acúmulo de riqueza. Queremos um modelo sustentável, que ajude a distribuir riqueza”, enfatizou Aly.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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